O deputado estadual Emídio de Souza (PT-SP) comparou o grupo, batizado de “Direitos Já”, aos “familiares que têm um monte de divergências e só se encontram no velório de algum ente querido”. Neste caso, o ente querido dos presentes à casa do advogado Pedro Serrano, é o Estado de Direito.
“São pessoas que militaram durante anos em campos opostos, mas entendem que hoje a ameaça é maior: precisamos manter, inclusive, o direito de divergirmos uns dos outros”, resume.“Não havia um encontro tão amplo e significativo desde as Diretas Já”, diz o advogado Marco Aurélio de Carvalho, do PT, um dos organizadores ao lado do escritor Fernando Guimarães, do PSDB.
O encontro reuniu na mesma sala políticos de diversas matizes ideológicas. Estavam ali os ex-ministros Aloizio Mercadante (PT), do governo Dilma, e José Gregori (PSDB), da equipe de FHC. Dois candidatos à Presidência somaram-se ao grupo, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e o coordenador do MTST, Guilherme Boulos (PSOL).
O ex-senador José Aníbal (PSDB), o presidente do PV, José Pena, os vereadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Daniel Anneberg (PSDB-SP), o porta-voz da Rede, José Gustavo e o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) também participaram da reunião. Entre os intelectuais estavam o jurista Celso Bandeira de Mello e o economista André Franco Montoro.
Na sua fala, Haddad observou: “Tem gente que nos últimos 20 anos esteve em trincheiras diferentes, mas alguma razão nos trouxe aqui. Eu acho que é o temor pelo que pode acontecer no Brasil”.
“Ninguém aqui está 100% tranquilo sobre o que pode acontecer. (Inclusive) Alguém que tenha votado no Bolsonaro no segundo turno pode estar intranquilo em relação ao que esperava”, acrescentou Haddad.
Pensar em conjunto
Para Belisário dos Santos Júnior, ex-secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo na gestão Mario Covas, “esta foi a reunião mais suprapartidária a que já compareci na vida”. “O que faltou antes das eleições começa a se produzir agora. Começamos a entender que sem se reunir e sem pensar em conjunto vai ser difícil criar uma oposição de verdade.”Entre as convergências dos integrantes, além da defesa da Constituição e da democracia, estão o combate ao decreto que libera o uso de armas no país, os cortes em 30% anunciados para a educação superior, o pacote anti-crime do ministro da Justiça, Sérgio Moro, e a extinção dos conselhos de participação civil no governo.
Observatório
“Queremos ser um movimento que não tenha relação com disputa de poder, ou seja, não vai desembocar em candidatura alguma”, diz Pedro Serrano. “É uma frente da sociedade civil, pluri e extra partidário, uma espécie de observatório, cujo eixo fundamental é a defesa da democracia e dos direitos”. A ideia, segundo o jurista, era quebrar o gelo, porque “fazia muitos anos que estas pessoas não sentavam para conversar”. “O próximo passo é nacionalizar o movimento”, diz.O movimento pretende fazer um ato de lançamento oficial no TUCA, teatro da PUC-SP, ainda sem data definida.
